Vídeo Mandalas da Floresta

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Vídeo com as principais Mandalas da Floresta.

PARA MEDITAR, (SE) DESCOBRIR E SENTIR...

Obras de Simone Bichara
Músicas: Sons da Floresta; Indígenas: Ashaninka; Enya e Moolamantra.

Para visualizar no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=B-YjuMYZDXM

Jota Velloso

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Jota Velloso é uma daquelas pessoas que a gente ama desde o primeiro momento que conhece. Simples, sensível, inteligente, agradável e íntegro; Jota é hoje um dos maiores compositores do Brasil. Suas canções estão nas vozes de Maria Bethânia, Gal Costa, Vânia Abreu, Zezé Mota, Belô Velloso, Daniela Mercuy e Margareth Menezes.
Diretor artístico premiado várias vezes, lançou esse ano seu segundo CD, pelo selo da Quitanda Produções Artística e gravado nos estúdios da Biscoito Fino, com participação de Virgínia Rodrigues, Jorge Mautner e Jorge Vercillo dentre outros.
Jota tem feito shows e apresentações por todo Brasil e em diversos países como França, Portugal, Espanha, USA e África do Sul. Vem se apresentando com Luiza Possi, Jauperi, Daniella Mercury, Margareth Menezes, Caetano Veloso, Jorge Mautner, Jorge Vercillo, etc. E tem grandes parceiros como compositor: Roque Ferreira, Roberto Mendes, Luciano Bahia, etc.
Filho de Oxossi tem profunda ligação com as matas. Em 2008 fez um show em minha terra, o Acre e cantou alegremente e belamente para o Povo da Floresta.
Essa canção do clip tornou-se um hino em toda Bahia. Nela, Jota faz uma homenagem a Santo Antônio, Oxossi no sincretismo religioso.
E Viva a Floresta!
Viva Odé!
Viva Jota Velloso e suas canções tão genuinamente belas, sábias e nobre!

MANDALA FOGO

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FOGO

Eu peguei na mão do poeta e com a sua pena delicada desenhei o fogo da minha poesia.
Toquei as angústias das incertezas, e acendi o fogo do silêncio da resposta.
Beijei os lábios das cantoras vãs – deusas delas mesmas; vozes divinas em corpos pagãs – e nasceu o fogo das canções apaixonadas, enluaradas. Amásias sutis de versos perfeitos.
Amei os devaneios tontos dos amantes embriagados, e fiz o fogo das paixões ardentes.
Lambi as estrelas, como se elas fossem minhas crias mais primárias, e surgiram as faíscas do fogo que avisa os presságios às procelárias.

O Criador, que hoje se deixa fagulhar dentro de nós, teve forma de fogo.
Hoje etéreo e delicado. Antes fogo delgado.
As fagulhas Dele, que em nós vivem, são deuses retalhados fazendo fogo para manter acesa a chama das existências.
O Criador, que distribui em suas criaturas, as centelhas dos lumes do elemento que compõe o seu Ser.


Fogo que me ascende e me acende. Que me alimenta e sustenta. Que me aquece e me esquece.
Que em seu braseiro impiedoso é todo o colosso para a vida.
O elemento da sobrevivência e da destruição. E que dentro de mim é mais que o símbolo da paixão, é a graça necessária para a minha iluminação.
Sem ele tudo é escuro; sem sua combustão tudo é inexatidão. Escombros vazios, nos invernos maltrapilhos. Nada seria dos invernos sem o fogo. Lodo seriam as estações. Congelados seriam os corações.


Ferramenta poderosa que reluz em tambores sagrados e em pés queimados em volta de sua fogueira.
Fusão de todas as almas. Labaredas de todas as coisas. Veemência de todas as energias.
Ancestral opulento de sangue elementar, onde nem a modernidade e a sua magnificência, conseguiram apagar.

Eu toquei a Mandala com o coração e surgiu em mim o brilho do fogo que a compõe.
Rastros dos cernes que unem estados, tempos e essências.
Mandala de Fogo que, com ele, remete-nos às nossas reminiscências.
Aquecimento através do ardor. Fogo também é mandala e o seu torpor também é amor.
Mandala de Simone Bichara e texto de Daniella Paula Oliveira
Do Projeto: A Mandala e a Palavra

Nossos índios - Os verdadeiros 'donos' da Terra.

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Nossos índios - verdadeiros 'donos' da Terra.

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Por Simone Bichara


O termo "índio" foi uma invenção do europeu. Caracteriza os povos que habitavam a América, ocultando toda a diversidade cultural existentes entre eles.

A hipótese mais aceita sobre a origem humana no continente americano é a de que houve uma migração da Ásia na idade do gelo, entre os anos 40.000 e 12.000 a.C., pelo estreito de Bering.

Os primeiros habitantes da Amazônia chegaram por volta de 1.500 a.C. (alguns pesquisadores defendem a hipótese de que a presença indígena na Amazônia remonta os anos de 31.500 a.C.).

Cerca de 6 milhões de índios habitavam à Amazônia antes da chegada dos Portugueses em 1616.

No Acre, na segunda metade do século XIX, viviam cerca de 150 mil índios, distribuídos em 50 povos.

Em 1989, o número de índios no Acre era em de 5 mil. Em 1996, o número passou para 8.511. No ano de 2001, a FUNAI notificou a existência de 10.478 índios em todo Estado do Acre, distribuídos em 12 povos. Esse tímido aumento pode ser explicado pela atuação de organizações indigenistas.

Os índios nunca abriram mão de suas terras sem colocarem em prática várias formas de resistências, dentre as quais o confronto com o homem branco.

Causas da diminuição demográfica indígena: a) assassinatos cometidos pelos coletores de "drogas do sertão"; b) assassinatos cometidos pelos seringalistas brasileiros através das "correrias"; c) doenças transmitidas pelos brancos; d) Assassinatos cometidos por caucheiros peruanos e soldados bolivianos; e) Assassinatos cometidos por capangas de fazendeiros a partir dos anos 70.


Os caucheiros eram nômades, por isso constituíram num dos principais inimigos dos indígenas, já que eram impelidos a desbravação contínua de novos territórios.
As correrias eram organizadas pelos seringalistas que reuniam até 50 homens armados para atacarem as aldeias, matavam os líderes, escravizavam vários índios e cooptavam as índias para servirem de mulheres no seringal.


No Acre, os indígenas estão divididos em dois grandes troncos indígenas: a) Aruaque ou Aruak, que dominavam a bacia do Rio Purus; b) Panos, que dominavam a região do rio Juruá.
Os Panos eram divididos em Kaxinawás, Yawanawás, Poyanawás, Jaminawas, Nukinis, Araras, Katukinas, Shaneanawa, Nawas, e Kaxararis.
Os Aruaques eram divididos em Kulinas, Ashaninkas (Kampas) e Manchibery.
A maior parte dos indígenas habitava nas margens dos rios amazônicos (várzeas) - devido à facilidade para encontrar seu alimento e à fertilidade das praias onde praticavam a agricultura.
Habitavam em menor quantidade às terras firmes, onde tinham que derrubar a floresta e fazer suas queimadas para o cultivo de roçados.

Os índios não pensam a terra como mercadoria, mas o lugar onde se vive comunitariamente a cultura, as crenças e as tradições.

A organização social das tribos baseava-se em famílias extensas, que habitavam povoações isoladas sob a liderança de um ancião.
Índios arredios ou "brabos" são aqueles que não assimilaram a cultura do branco, ou que nem ao menos tiveram convivência com o homem branco.

Vinda dos índios para as cidades acreanas: a) Vender produtos florestais; b) Procurar órgãos de proteção ao índio; c) Procurar tratamento de saúde; d) A mendicância (principalmente os jaminawas).

As malocas são feitas de paxiúba e palha de oricuri
Alguns grupos desenvolveram com perfeição a cerâmica e o artesanato.
A cura de várias doenças era obtida com remédios naturais; a maioria das tribos indígena do Acre fazem uso da bebida ayuaska - bebida considerada sagrada para os índios, conhecida por Daime para os 'brancos'.

A educação é transmitida pelos mais velhos, responsáveis por todo o legado cultural da tribo.

Os pajés, líderes espirituais das tribos, têm uma função especial na realização de festividades, na contação de histórias e na preservação do legado cultural da tribo.

As Terras Indígenas somam uma área aproximada de 14% da extensão territorial do Estado, perfazendo um total de 2.167.146 hectares, sendo que das 580 terras indígenas do Brasil, 31 localizam-se no Acre.

O Estado do Acre é a unidade da federação com maior diversidade biológica e étnica, 3,0% de toda a população indígena vive em território acreano, correspondendo a 14 povos indígenas.

"Aula de Filosofia" Daniella Paula Oliveira

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Esse é um texto da escritora cuiabana Daniella Paula Oliveira (já bem conhecida por aqui...).

Com ela desenvolvo o projeto A Mandala e a Palavra, é colaboradora do blog e amiga nos demais trabalhos, na arte e na escrita. Premiada diversas vezes com as suas crônicas, contos e poesia, Daniella também se arrisca na filosofia...




Aula de Filosofia

Vou clamar a um livro desconhecido, que me tome em seus braços e me prenda o olhar até eu entrar em êxtase e fundir-me a ele.
Posso também clamar pela a terra, para que ela se aglutine as minhas veias sanguíneas, tornando-me pó. Livro ou pó? Enfim, tudo o mais se transforma ou em livro ou em pó.
Enquanto divago nesses pensamentos sem corpo, o professor de filosofia fala sobre a teoria de Nietzsche onde Deus está morto. Virou pó e depois livro. Virou livro depois pó.
Quando Deus estava vivo, ele morava em mim. Comia as mesmas coisas que eu comia, e nessa época eu comia muita carne, meu estômago era um verdadeiro cemitério. E bebia muita bebida alcoólica e fumava e roia as unhas. Ele suportava tudo com predestinação. Como se tivesse que suportar aquilo para ser o deus que me habitava.
Eu lia para ele Proust. Proust fez dos seus olhos caídos e do seu ar ressequido, poesia. Fez da tristeza a literatura. Lia também Sartre, Beauvoir e comentava com ele sobre o relacionamento deles; dizia que não os considero libertinos, mas libertos. Embora também dissesse que nenhum deles era feliz.
- Professor, o que é felicidade? – Não me contive a perguntar, e obtive como resposta uma indagação: O que é felicidade para você?
É claro que com essa pergunta, ele queria me estimular a pensar sobre isso, além de demonstrar a relatividade da felicidade.
Um dia, antes de Nietzsche matar o Deus, eu o indaguei sobre as relatividades. Por que tudo tem que ser relativo? Até o amor é relativo. Poderíamos viver na igualdade de sentimentos, no equilíbrio de todas as questões. Mas o Deus me respondeu, mostrando-me, que esse desejo não é absoluto, portanto, é relativo. Tem gente querendo sentir tudo diferente.
O professor agora fala sobre a beleza. Cita Aristóteles, Confúcio, Voltaire e até Bilac. E eu caio novamente na relatividade. Considero a minha avó a pessoa mais bonita que já habitou a Terra. E eu já tenho a imagem dela, com longos cabelos brancos, nariz meio negro meio aportuguesado, rosto cheio de fortes traços, muitas cicatrizes, lábios sem volumes, corpo curvado e profundas olheiras circundando os seus maravilhosos olhos azuis. Sem dúvida, na minha relatividade, ela era linda.
Assim como pode ser belo o caminhar lento da lesma, o sangue branco da barata, santos barrocos com as cabeças quebradas, aranhas suspensas em suas teias, pés sem curvas, ruído de vento e uivo de cachorro em noite de lua cheia e até o fustigar da palavra sobre o ar.
- Professor, como será que Aristóteles descreveria a beleza da minha avó? – Não sei ao certo porque fiz essa pergunta. Acho que é porque não consegui descrever com maestria a beleza da minha avó. Acho que Aristóteles também não conseguiria. Ela nos escapa.
Fiquei mais uma vez sem resposta. E um olhar controvertido ocorreu entre mim e ele. Senti nesse momento uma luz do belo, como o silêncio querendo dar resposta, como a filosofia ajoelhando aos pés do indizível, do incabível, do indescritível.
- A sua avó deve ter sido uma bela mulher dentro da sua concepção de beleza. – Foi o que ele disse, após sofrer a ausência de rumor dos pensamentos e o ensejo gracioso do sentir. Continuou: - Por isso, não se preocupe com a descrição de Aristóteles sobre ela; seja você a filósofa.
“Seja você a filósofa... Seja você a filósofa... Seja você a filósofa...”. Ficou ressoando em meus nervos frágeis e enleados. Mas como? Eu uso mais do sentimento que da razão. Ou não? Há mais razão ou mais sentimento no sentir? Pois ante os ditames da razão ou sentimento, eu fico mesmo é com o sentir.
- Professor, posso ser uma filósofa apenas sentindo? – Como era de se esperar, ele fez um longo discurso sobre a lógica e a razão da filosofia.
- Sentir apenas não basta... – Ele discursava na sua branda eloqüência.
Deduzi, porquanto, que não posso ser a filósofa. Meu sentir é maior que a minha razão e minha emoção, e era por isso que eu desejava tornar-me pó ou livro. Por sentir, que tudo o mais se transforma em pó e em/ou livro. E se fôssemos colocar a razão nisso, os livros perderia o encanto e o pó não passaria de pó.
Certa vez, li sobre a eternidade. E dentre todas as definições que li, consta-me o pó. E o livro também. O pó é a própria eternidade e o livro é aquele que fala dela. E ambos se fundem.
- Professor sabia que quando o Deus estava vivo ela morava em mim?
- E por que você o matou?
- Não fui eu, foi Nietzsche. Eu não o matei, assim, exatamente como ele fez. Eu o adormeci em meu colo cansado, em minhas mãos exauridas de acariciá-lo, em meu suor transposto, em minha mente insone que velava o seu sono eterno, em minha alma dissipada pelo o seu suposto imenso amor. Eu o adormeci em mim. Mas às vezes ele desperta, toca o meu umbigo, faz-me sorrir de cócegas; e também me faz chorar de dor, quando aguça a minha sensibilidade para ver além da linha do horizonte, além do sangue derramado, além do sonho despertado...
Fez-se um silêncio mais branco que as minhas palavras na sala. A aula fugiu do concreto da razão, e foi voar com o deus morto ou adormecido de cada um. E nesse momento, o Deus reviveu e atordoou o nosso interno, o nosso íntimo, o nosso colossal humano de entranhas duvidosas. O silêncio era o Deus de cada um falando, expurgando, filosofando...
Era como se a germinação de toda a existência fluísse nos instantes e nas lacunas deixadas pela Filosofia. Como se os deuses que abençoara Sócrates, Platão, Aristóteles, os mesmos deuses que se permitiram morrer para Nietzsche, tivessem virado sementes em nós, mostrando-nos que sentir o barulho silencioso do germinar é mais significante que a própria nobreza de pensar sobre a criação. Mostrando-nos que a ciência do sentir é o filósofo que habita todos nós.
O sinal, que indica as horas e suas esporas, tocou. Era o fim da aula de Filosofia. Era o início de sentir durante o filosofar.

A FLORESTA

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A Floresta é o ouro do mundo
Dela nascerá a nação do futuro,
O Novo Tempo.
De seus seios jorra o leite sagrado da vida
Em harmonia
Seu silêncio é fórmula Divina
De paz e equilíbrio.
O código secreto da Existência
Seus encantos transformam a guerra do coração em paz.
Ensina-nos o dom da singularidade
Vivido no coletivo
Abre-nos os olhos para a teia da vida
Onde tudo e todos estão interligados

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A floresta é o umbigo do mundo,
É meu próprio Ser.
Nela, bichos e homens são guiados
Por sua sabedoria.
Não há mestre maior e nem amor mais sublime
Do que a floresta.
Ela é quem sustenta a vida desse planeta.
Rainha floresta,
Mãe antiga, vós sois a luz do mundo.
Rogo por vós
Sua saúde
Sua existência entre nós.
Fica aqui
Ventre sagrado, colo, amor, Mãe!
Simone Bichara

FOTOS NOVA EXPOSIÇÃO MANDALAS DA FLORESTA

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EXPOSIÇÃO MANDALAS DA FLORESTA
DE 02 A 10 DE DEZEMBRO DE 2010
NA PROCURADORIA GERAL DO ESTADO DO ACRE
POR SIMONE BICHARA


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FOTOS DA EXPOSIÇÃO MANDALAS DA FLORESTA

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