
Por Simone Bichara
O termo "índio" foi uma invenção do europeu. Caracteriza os povos que habitavam a América, ocultando toda a diversidade cultural existentes entre eles.
A hipótese mais aceita sobre a origem humana no continente americano é a de que houve uma migração da Ásia na idade do gelo, entre os anos 40.000 e 12.000 a.C., pelo estreito de Bering.
Os primeiros habitantes da Amazônia chegaram por volta de 1.500 a.C. (alguns pesquisadores defendem a hipótese de que a presença indígena na Amazônia remonta os anos de 31.500 a.C.).
Cerca de 6 milhões de índios habitavam à Amazônia antes da chegada dos Portugueses em 1616.
No Acre, na segunda metade do século XIX, viviam cerca de 150 mil índios, distribuídos em 50 povos.
Em 1989, o número de índios no Acre era em de 5 mil. Em 1996, o número passou para 8.511. No ano de 2001, a FUNAI notificou a existência de 10.478 índios em todo Estado do Acre, distribuídos em 12 povos. Esse tímido aumento pode ser explicado pela atuação de organizações indigenistas.
Os índios nunca abriram mão de suas terras sem colocarem em prática várias formas de resistências, dentre as quais o confronto com o homem branco.
Causas da diminuição demográfica indígena: a) assassinatos cometidos pelos coletores de "drogas do sertão"; b) assassinatos cometidos pelos seringalistas brasileiros através das "correrias"; c) doenças transmitidas pelos brancos; d) Assassinatos cometidos por caucheiros peruanos e soldados bolivianos; e) Assassinatos cometidos por capangas de fazendeiros a partir dos anos 70.
Os caucheiros eram nômades, por isso constituíram num dos principais inimigos dos indígenas, já que eram impelidos a desbravação contínua de novos territórios.
As correrias eram organizadas pelos seringalistas que reuniam até 50 homens armados para atacarem as aldeias, matavam os líderes, escravizavam vários índios e cooptavam as índias para servirem de mulheres no seringal.
No Acre, os indígenas estão divididos em dois grandes troncos indígenas: a) Aruaque ou Aruak, que dominavam a bacia do Rio Purus; b) Panos, que dominavam a região do rio Juruá.
Os Panos eram divididos em Kaxinawás, Yawanawás, Poyanawás, Jaminawas, Nukinis, Araras, Katukinas, Shaneanawa, Nawas, e Kaxararis.
Os Aruaques eram divididos em Kulinas, Ashaninkas (Kampas) e Manchibery.
A maior parte dos indígenas habitava nas margens dos rios amazônicos (várzeas) - devido à facilidade para encontrar seu alimento e à fertilidade das praias onde praticavam a agricultura.
Habitavam em menor quantidade às terras firmes, onde tinham que derrubar a floresta e fazer suas queimadas para o cultivo de roçados.
Os índios não pensam a terra como mercadoria, mas o lugar onde se vive comunitariamente a cultura, as crenças e as tradições.
A organização social das tribos baseava-se em famílias extensas, que habitavam povoações isoladas sob a liderança de um ancião.
Índios arredios ou "brabos" são aqueles que não assimilaram a cultura do branco, ou que nem ao menos tiveram convivência com o homem branco.
Vinda dos índios para as cidades acreanas: a) Vender produtos florestais; b) Procurar órgãos de proteção ao índio; c) Procurar tratamento de saúde; d) A mendicância (principalmente os jaminawas).
As malocas são feitas de paxiúba e palha de oricuri
Alguns grupos desenvolveram com perfeição a cerâmica e o artesanato.
A cura de várias doenças era obtida com remédios naturais; a maioria das tribos indígena do Acre fazem uso da bebida ayuaska - bebida considerada sagrada para os índios, conhecida por Daime para os 'brancos'.
A educação é transmitida pelos mais velhos, responsáveis por todo o legado cultural da tribo.
Os pajés, líderes espirituais das tribos, têm uma função especial na realização de festividades, na contação de histórias e na preservação do legado cultural da tribo.
As Terras Indígenas somam uma área aproximada de 14% da extensão territorial do Estado, perfazendo um total de 2.167.146 hectares, sendo que das 580 terras indígenas do Brasil, 31 localizam-se no Acre.
O Estado do Acre é a unidade da federação com maior diversidade biológica e étnica, 3,0% de toda a população indígena vive em território acreano, correspondendo a 14 povos indígenas.