Exposição MANDALAS DA FLORESTA em Mato Grosso

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Exposição Mandalas da Floresta, da artista plástica acreana Simone Bichara, na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (Cuiabá/MT), de 12 a 23 de setembro de 2011.
Produção: Daniella Paula Oliveira
Através do Instituto Memória da Assembleia Legislativa.

29 obras expostas - arte em madeira reciclada.

"A arte diz o indizível; exprime o inexprimível, traduz o intraduzível."
Leornardo da Vinci

"Mas você - eu não posso e nem quero explicar, eu agradeço."
Clarice Lispector

Exposição Mandalas da Floresta em Cuiabá/MT

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As Mandalas da Floresta chega à “Capital do Pantanal”! Cuiabá-MT receberá a exposição itinerante, da artista plástica acreana, Simone Bichara, do dia 12 a 23 de setembro/2011. A conceituada artista, que já levou a sua arte a diversos Estados brasileiros, realizará a exposição intitulada “Mandalas da Floresta”, através do Instituto Memória da Assembléia Legislativa do Estado de Mato Grosso. Pela primeira vez em Cuiabá, Simone conta a produção da então cuiabana, escritora e produtora cultural Daniella Paula Oliveira.
- “As mandalas já estiveram na Região Central, no Coração do Brasil, em diversas exposições em Brasília; a intenção principal de trazê-las a Cuiabá, um ponto mais abaixo desse imenso Coração, é “oxigená-lo” um pouco mais, através da arte de Simone, que representa tão bem a floresta acreana, sua força, seus traços, seu ar. Sei que será um belo encontro entre o cerrado e a mata, entre o amarelo de manga e sol cuiabano e o verde de selva acreano”. Ressalta a cuiabana.


*Simone Bichara é artista plástica, terapeuta holística, historiadora, produtora e empresária.


DIA DA AMAZÔNIA NO ACRE

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Fotos de J.Veloso com Shaneihu são da Fotográfa Val Fernandes.






A Amazônia é nosso maior patrimonial, dela de certa forma, depende a vida no planeta terra. Dia 05 de setembro é o dia Internacional da Amazônia, um dia que deveria se comemorado sempre, em todos os momentos e em todo lugar. Cuidar da Floresta Amazônica, é cuidar também de seus Povos, OS POVOS DA FLORESTA - índios, seringueiros, ribeirinhos, agricultores.


Aqui no Acre, estado que mantém 88% de suas florestas intactas, celebramos essa data durante uma semana, com programações diversas, realizadas pela Secretaria de Meio Ambiente do Acre e pela Fundação de Cultura Elias Mansour.


A maior atração para essa festa, foi o show do cantor e compositor baiano J.Veloso e sua Banda Os Cavaleiros de Jorge. Tendo como participação especial, nosso txai Shaneihu (índio da etnia Yawanawá), com sua banda. Como convidada especial, a cantora e compositora goiana, mas acreana de coração, Keilah Diniz.


O Show foi uma realização da Fundação Elias Mansour e teve produção local de Simone Bichara. J.Veloso tem produção de Luzia Moraes. Articulando todo o evento, Rodrigo Forneck, da FEM.


Também comemorando a semana da Amazônia, os lançamentos dos Livros BEMBÉM DO MERCADO, da escritora e produtora Cultural Luzia Moraes. E o livro/cd de J.Veloso SANTO ANTÔNIO E OUTROS CANTOS. Aconteceu também, a mostra do Vídeo BEMBÉM DO MERCADO, também de Luzia Moraes, tudo isso na BIBLIOTECA DA FLORESTA, com a presença de vários artistas, pesquisadores ,professores e público em geral.


Além disso, tivemos a grande feira da ECONOMIA SOLIDÁRIA, distribuição de MUDAS DE ÁRVORES, apresentação de teatro; shoe exclusivo do SHANEIHU e sua Banda; exposição de artes plásticas dos Índios Yawanawás, na CASA DOS POVOS INDÍGENAS; palestras nas escolas, mostras de vídeos sobre o tema SUSTENTABILIDADE, FLORESTANIA, etc.



VEJA AS FOTOS NAS PÁGINAS SEGUINTES -


SHOW DE J.VELOSO NO DIA DA AMAZÔNIA e LANÇAMENTOS DOS LIVROS DE LUZIA MORAES E J. VELOSO NA BIBLIOTECA DA FLORESTA.

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O DIA DA AMAZÔNIA TEVE TAMBÉM COMO PROGRAMÇÃO, O LANÇAMENTO DO LIVRO BEMBÉM DO MERCADO DE LUZIA MORAES PUBLICADO PELO MINC. E O LANÇAMENTO DO LIVRO/CD DE J.VELOSO "SANTO ANTÔNIO E OUTROS CANTOS". NA BIBLIOTECA DA FLORESTA EM RIO BRANCO ACRE.




Professor Marcos Afonso com a escritora Luzia Moraes, na Biblioteca da Floresta.






A escritora Luzia Moraes, a produtora do evento Simone Bichara, J.Veloso cantor e compositor e a cantora Keilah Diniz, no lançamento na Biblioteca da Floresta.




J.Veloso tem a honra de cantar com Shaneihu, índio da etnia Yanwanawá. Fotos de Val Fernandes.






O Show aconteceu no mercado Velho, às margens do Rio Acre. Uma realização da Fundação de Cultura Elias Mansour. Produção de Simone Bichara.








J.Veloso com Shaneihu e sua Banda Os Cavaleiros de Jorge.






J.Veloso usando camiseta exclusiva da Malharia Ponto sem Nó.






Shaneihu e toda grandeza e beleza dos Povos Indígenas.





NO DIA 03 DE SETEMBRO , NA BIBLIOTECA DA FLORESTA, LUZIA MOSTROU SEU DVD E LANÇOU SEU LIVRO SOBRE O BEMBÉ DO MERCADO. E J.VELOSO LANÇOU SEU LIVRO/CD 'SANTO ANTONIO E OUTROS CANTOS'.






Simone Bichara, J.Veloso e Luzia Moraes.






Rose Farias, Dircinei Souza, Simone Bichara e Rodrigo Forneck no Lanaçamentos dos livros na Biblioteca da Floresta.

Mandala e Texto Gaya

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Gaya

No início era o Caos.
Gaya purificou a desordem, germinou em seu solo o belo e o visceral.
Foi plantando amor nas intrínsecas veias do seu grande corpo
Dando vida ao lodo e malícia ao engodo

De Gaya partiu o Bem e o Bem
Pois o mal só existe para aqueles que não compreendem
Que Gaya guarda o mistério da semente
Sabendo perfeitamente, o que melhor precisa cada um.

Gaya se autofecundou – se amou – se ordenou
Depois se entregou a Urano, criando o Céu de libido
- o descontraído, o desmedido.
O abraço grandioso que uniu o infinito.

A Grande Mãe abarcou seus filhos
Respirou em seus corações
Dando Existência a todas as Nações
De deuses e humanidade – com a mesma ternura de Divindade.

Dos seus seios os esteios foram formados
Do seu umbigo as pulsações se extirparam
- para dentro dos ventos intempestivos
Que levaram sua criação para os quatro cantos, dos seus próprios instintos.

A Terra rabiscou os seus frutos
Presente. Passado. Futuro.
Na mesma dimensão da Eternidade
Mãe Terra, Elemento Primordial, que do tempo só conhece o atemporal.

Deus, Homem, Animal
Tudo circunscrito no papiro, no suspiro, no silêncio ancestral.
No solo seguro, no chão puro, na Terra arraigada
Pode-se viver o taciturno, vivendo sempre a Inteligência harmonizada.

Se tudo brota, convive e morre em seu pó
Não há nó em sua criação
Tudo é necessário e perfeito
Seguindo a Ordem do seu Ensejo – Seguindo a Verdade da sua Reta e Amorosa Ação.

Gaya é Mãe, Senhora, Jovem, Anciã
É seio jorrando leite
É Homem firme na sua Missão
É criança inocente, que breve aprenderá que a Vida é divina-

Pois foi criada da latente paixão
(dessas que inflamam as velas)
Das delicadas e fortes mãos da Sublime Criação!
Essa que esconde o Caos e a escuridão, para que reluza a sua mais perfeita inspiração.


Gaya que é azul nas águas marinhas
Verde nos píncaros das florestas
Amarela no nascer do sol
Castanha nas entranhas da Terra.

Gaya que gera na sua estirpe Olímpica
As entrelinhas da nossa Evolução
Desejando a todos
A plenitude e a sabedoria. A Eternidade em Harmonia.

Na multifacetada Mandala da Vida
Há a Gaya e suas armadilhas de cores.
Que hoje não vem dos mitos gregos nos visitar
Vem da sábia Mata nos encantar!






Mandala Artística de Simone Bichara - Texto Poético de Daniella Paula Oliveira
Do Projeto: A Mandala e a Palavra.

MANDALA 'JUREMA'

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Jurema

Cabocla. Guerreira. Mulher. Menina. Anciã.
Peitos latejantes. Busto lancinante. Espelho virado a Tupã.
Floresta. Rios. Igarapés. Lodos.
Iodos revestidos de verde. Lampejos de dor e amor – no coração da Jurema.

E lá na Mata obstinada de mistério, ouve-se o farfalhar das folhas, surradas pelos pés arredios da Jurema.
Bem lá nos pântanos onde o taciturno vive, sente-se o cheiro do vegetal primordial, perfume da Jurema.
Nas raízes da Grande Samaúma, se vê a sua jibóia. No canto dos pássaros encantados, percebe-se o seu assovio. No cheiro da terra molhada, o seu suor transposto.

Colo meu, colo nosso – colo de divino ócio.
Arrebate-nos sobre as suas flechas, lançando-nos aos céus.
Livre-nos do que for cruel. Livre-nos, porém do falso mel.
Em seus reinos de ervas, prepare-nos o remédio contra as mazelas do mundo.
Toque-nos com as suas mãos de doçura. Proteja-nos com a sua coragem e bravura.

Jurema em seu rito de calmaria e espanto
Tanto muda quanto grito
Tanto medo quanto aconchego
Vem com a sua falange de povos da mata – esbravejar a nova alvorada e recolher a próxima lua.

Jurema que se banha nas cachoeiras nua
Dando ao mundo a sensualidade e a pureza
O parir e a singeleza
Do germinar de uma semente.

Jurema que comanda os pássaros e as serpentes
Nos cipós imolados ao sacrifício da Terra.
Jurema que gera – em seu próprio seio e escárnio
As armas invisíveis que lutam ébrios os povos de Juremá.

Índia que emergiu do profundo rio, dos píncaros das florestas
Do escarlate do dia e da escuridão da noite
Gritando e sussurrando como os seus animais enaltecidos
Vem agora cantar as suas rezas aos entorpecidos – fazendo-os levantar dos seus êxtases.

É hora da batalha! Jurema vem viçosa com o seu penacho de mar, fazer justiça na Terra, guerrear pela paz. Vem da Floresta em suas teias relembrar os ancestrais. Vem fazer culto e festa aos Pajés primordiais. Vem saudar a sua Aldeia e reviver a sua estirpe. Vem salvar a Mata em chama e abençoar os que a amam. Vem fazer chover e trazer o maná de Tupinambá.

Jurema vem a nossa tribo interior através da Mandala que em seu louvor, carrega o seu nome.
Trazendo a fartura do solo próspero arraigados pelo o seu verde leite.
E a alegria do seu deleite faz-nos avivar a emoção.
Cabocla da pena dourada faça morada em nosso coração!


Mandala de Simone Bichara – Texto de Daniella Paula Oliveira


Projeto: A MANDALA E A PALAVRA

"Viagem à Paisagem Llansol". Por Prof. Lúcia Castello Branco

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Para compartilhar um pouco da beleza que ainda anda permeada em nosso mundo, postarei algo da professora por excelência Lúcia Castello Branco. Professora da Universidade Federal de Minas Gerais e escritora que tem a poesia entranhada em qualquer de suas escritas, Lúcia nos presenteia com análises minuciosas e líricas da obra de Maria Gabriela Llansol.
A carta a seguir é um belo fragmento do grandioso trabalho de Lúcia sobre Llansol.


Viagem à paisagem Llansol
Data: 08/08/2008
Lucia Castello Branco


Segundo filme da série “Os absolutamente sós”, cujo foco se volta para a relação se sujeitos singulares com a literatura (o primeiro da série foi o longa-metragem Língua de Brincar, sobre Manoel de Barros), o documentário Redemoinho-Poema, dirigido por Lucia Castello Branco e Gabriel Sanna, percorre as paisagens da escritora portuguesa Maria Gabriela Llansol (1930-2008), na Bélgica e em Portugal, focalizando as figuras de seu texto e de seu afeto. Com ênfase na escrita e na legência, o filme culmina na cena das mãos de Llansol, em sua casa em Sintra, no trabalho de revisão das provas de seu último livro: Os cantores de leitura. O texto-carta de Lúcia Castello Branco, escrito por ocasião da morte da escritora, é também um comentário da legente à cena das mãos de Llansol:


Querida Gabriela,

Em resposta à tua carta de 5 de janeiro de 2008, que só há poucos dias me chegou às mãos, em resposta à tua carta ditada, e escrita na letra de Cynthia, mas que traz abaixo a tua assinatura em letra trêmula e difícil, começo por te dizer que aqui, do outro lado do Atlântico, não são de nevoeiro os dias, mas de fortes chuvas e calor.
Mas em seguida me lembro de como era azul o céu na Serra de Sintra, naquela manhã em que estivemos em tua casa a filmar as imagens destas mãos — as tuas e as de Vina — no trabalho concentrado de revisão de Os Cantores de Leitura.
Olho para estas mãos agora — as tuas e as de Vina — e reparo no anel e na gema do anel e na chama de amor no interior de um anel. Olho para estas mãos que marcam, com firme delicadeza, o texto. E penso no teu legado mais forte: a responsabilidade da forma.
Penso que agora, neste momento em que começas a atravessar o nevoeiro, um pouco do nosso mundo do lado de cá parece ruir. Mas logo me lembro do teu texto, Gabriela, e, como Cantora de Leitura pelo texto convocada, devo assim fazer a minha prece:
Não há qualquer nervosismo em tua mão, que se molda à própria forma com grande destreza. Os teus ouvidos ouvem ____________ e respiram profundamente incitando o teclado, seja o do piano, seja o do papel, a segurar a estrela que vai cair.
E então olho de novo para as tuas mãos, Gabriela, ao lado das mãos de Vina, e sobre elas pouso as minhas mãos, as mãos de Vania, as de Inês e as de Cynthia. Assim:
Não há qualquer nervosismo em nossas mãos, que se moldam à própria forma com grande destreza. Os nossos ouvidos ouvem __________ e respiram profundamente incitando o teclado, seja o do piano, seja o do papel, a segurar a estrela que vai cair.
Sim, Gabriela, atravessaremos juntas a paisagem de nevoeiro e chuva e quase neve. Porque um dia atravessamos juntas o sol de teu nome, escrito hoje na curvatura da abóboda celeste. Tudo, aqui ou lá, continua a vibrar. E, em nome da cena fulgor que nos acompanha,
aqui ou ali, o teu nome vive, nela.

Lucia
Belo Horizonte, 3 de março de 2008.

Créditos: http://www.abpcomunidade.org.br/cultura/revista/exibir/?id=17

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